SAÚDE

por Francisco Varatojo

Neste artigo optei por fazer uma abordagem geral à saúde, na tentativa de criar uma reflexão e auto-avaliação sobre o que realmente significa sermos ou não saudáveis.

Para a maioria das pessoas, técnicos de saúde incluídos, a Saúde é meramente uma ausência de sintomas físicos ou emocionais; se não tivermos um problema diagnosticado somos saudáveis mesmo que no dia a dia nos sintamos terrivelmente mal; é comum (demasiado comum, acrescentaria) nos dias de hoje termos pessoas que não se sentem de todo bem consigo mesmas e que após uma bateria de testes sanguíneos, raios X, ecografias, chegam à conclusão de que estão em perfeita forma e que não têm a mínima razão para se queixarem. Contudo, os sintomas de mal-estar persistem e a sensação de que não estando doente também não se está suficientemente bem, é real.

Também, temos a ideia de que a saúde e a doença são estados absolutos – ou estamos (somos) saudáveis ou estamos (somos) doentes, não havendo estados intermédios, não existindo um determinado processo numa direcção ou outra.

Para mim, saúde e doença não são de forma alguma estados absolutos, mas sim processos contínuos de transformação: nunca estamos absolutamente saudáveis nem absolutamente doentes e paradoxalmente adoecemos na tentativa de recuperarmos a saúde, ou seja, num todo o organismo tende sempre a criar harmonia e saúde relativas.

Vejo a saúde e a doença como processos, como uma questão de orientação na vida: podemos estar num processo de saúde quando alinhamos as diferentes áreas da nossa vida (alimentação, exercício, atitude e outros) numa direcção produtiva para nós e para os outros ou num processo de doença quando os diferentes factores da nossa existência estão desalinhados entre si e não são coerentes ou consequentes.

A saúde tem essencialmente a ver com a forma como nos adaptamos ao meio em que vivemos e somos tão saudáveis quanto a nossa adaptação a factores físicos, emocionais ou sociais se dá de uma forma fluida e graciosa, quando a totalidade do nosso organismo se adapta espontaneamente ao meio circundante com o mínimo de tensão (não sem tensão, mas com a tensão necessária para a actividade que estamos a realizar ou para a situação em que nos encontramos).

Assim, citando William Tara autor do livro “Magical Mirror” , podemos dizer que “a saúde é uma interacção dinâmica entre o organismo individual e o ambiente em que vive, em que se produz o mínimo de stress, permitindo uma adaptação, movimento e desenvolvimento óptimos”.

Por outro lado, a doença será uma incapacidade crescente de interagir com o ambiente de uma forma produtiva para o desenvolvimento do nosso próprio potencial, conduzindo a um isolamento cada vez maior.

Em 1997 li num livro escrito pelo filósofo George Ohsawa, um teste de saúde para avaliação regular que ainda hoje utilizo no dia a dia como uma forma de reflexão sobre a minha própria saúde; neste teste Ohsawa considera 7 áreas importantes de diagnóstico, e apesar de já ter bastantes anos considero este teste bastante actual e profundo.

Neste ponto do artigo sugiro-lhe que avalie o seu estado geral tendo em consideração os seguintes aspectos:

1. Vitalidade – num estado saudável, temos suficiente energia para realizarmos aquilo a que nos dispomos. A ligeireza com que consideramos normal o cansaço nos tempos modernos, parece-me ser no mínimo assustadora.
2. Bom Apetite – um apetite pela comida e pela vida em si que pode ser satisfeito sem extravagâncias. Uma curiosidade ilimitada e a força da vida são extensões naturais do nosso apetite físico.
3. Sono Profundo e Pacífico – adormecer rapidamente, dormir duma forma profunda e ficarmos satisfeitos com 6 a 7 horas de sono (para um adulto), acordando com uma enorme vontade de enfrentar mais um dia é a terceira condição de saúde.
4. Boa Memória – um reflexo de um funcionamento harmonioso do sistema nervoso e a sua capacidade de relembrar experiências passadas como uma instrução para o futuro.
5. Bom Humor – a capacidade de apreciar as qualidades paradoxais da vida e de não ficarmos apegados a experiências desagradáveis.
6. Clareza e Rapidez de Pensamento e de Acção – uma resposta rápida e apropriada aos acontecimentos previsíveis ou imprevisíveis a que estamos sujeitos.
7. Honestidade e Justiça – é a última condição de saúde de Ohsawa mas para ele a mais importante; honestidade e justiça reflectem-se numa apreciação profunda da ordem natural e numa compreensão de causa e efeito; Honestidade e Justiça permitem-nos também ver o alcance a longo prazo das nossas acções diárias.

Se os resultados do seu teste não são satisfatórios, é provável que não se sinta na sua melhor forma, pelo que é importante fazer uma reflexão sobre os seu estilo de vida e hábitos diários.

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